sexta-feira, 7 de março de 2014

Capítulo 3 * O Valor de Uma Vida.

  Aquela de fato seria uma noite sombria, algo que nem mesmo o detetive desconfiaria , pois o dever deles  era fazer o seu trabalho  sem deixar rastros da sua presença.
  Após retornar à mansão  ,  Kyungsoo adentrara o quarto , encarando o porta retrato que repousava sobre sua mesinha de cabeceira.
  Na foto estavam ele e Chanyeol quando se encontraram em um parque de diversões na cidade. Lamentavelmente já sentia a sua falta...
  Guardara inúmeras lembranças do amigo, até mesmo a forma intrigada como o fitava , a forma como falava, e as vezes que se exaltava discutindo consigo sobre determinado assuntos. 
  Eram orgulhosos demais para admitirem tal sentimento. Não frios, mas sim orgulhosos. 
  _Senhor...-Chamou o homem de cabelos claros vestido com o terno preto. 
  _Entre William. -Respondeu 
  _Eu não vejo nenhuma visita marcada para este horário senhor.-Falou _Há um homem de nome Gerald querendo falar com o senhor e...
  Kyungsoo pôde escutar o estridente barulho do tiro assustando-o. Pôde ver também o segurança cair sobre o chão subitamente após ser atingido , deixando-o então em estado de choque. 
  _William!-Gritou ao levantar-se da cadeira onde ainda estava sentado admirando a fotografia e lançou-se no chão acariciando as costas do segurança _William! -Gritou._ O que é isso?-Perguntou em desespero. 
  Algo que Kyungsoo nunca fizera fora demonstrar seus sentimentos , quanto mais um sentimento como o medo e o desespero. 
  Não tinha medo de perder a mansão, os carros, o conforto , nem mesmo as roupas caras  ou  o dinheiro , porém ao escutar o barulho do tiro e ver seu mais fiel homem cair sobre o chão ensanguentado temeu pela primeira vez. 
  Não temia pelo dinheiro, mas sim pela sua vida.
  _Ele está descansando...-Pronunciou o intruso _ Não é assim que vocês falam quando alguém morre?-Perguntou irônico. _Tão miserável...eu posso até mesmo escutar a música soar , a música em que você se despede. -Continuou ao aproximar-se do corpo do rapaz ajoelhado no chão.
  O estranho tocara gentilmente o seu rosto ostentando um sorriso sínico enquanto o fitava serenamente. 
  _Mas não se preocupe, você não se sentirá mais assim Kyungsoo, nunca mais. 
  Kyungsoo ainda em choque levantou-se sentindo seu corpo tremer com as palavras do homem de rosto coberto.
  Porém Kyungsoo podia ver os seus olhos , apenas os seus olhos eram o necessário para criar em seu coração tal sentimento de revolta, que agora sucumbia seu coração. 
  _O que foi?-Perguntou o outro _ Você sente raiva não é mesmo? -Sorriu _Eu acho tão lindo essa mistura entre o medo e o ódio...é isso que me alimenta , sabia Kyungsoo?
  _Como sabe o meu nome? O que você quer ?!-Gritou ao ouvir o homem gargalhar com sarcasmo levantando e pondo-se a sua frente. 
  O bonifrate não tinha sequer uma arma para defender-se do malfeitor , ou uma forma de alcançar o telefone e ligar para a polícia. 
  Bastava apenas render-se. Porém, sentindo o ódio invadir-lhe o coração, alcançou o vaso de cristal que repousava em sua mesa , onde costumava fazer seus relatórios , em uma tentativa falha de acertar o homem que apenas ria caçoando de si. 
  _Eu pensei que seria mais difícil. -Zombou _ Aqueles eram mesmo seus seguranças? -Riu _ Eu passei por eles como se fossem ratos cegos...
  _Eu posso te dar dinheiro -Apelou Kyungsoo _ O que você quiser pode ser seu.
  _Realmente tentador...-Respondeu o homem _ Porém meu pequeno, o dinheiro é algo que o tempo destrói . Embora muitas pessoas o tenham como precioso , tudo isso...-Continuou ao aproximar-se do porta retrato onde ele e Chanyeol estavam , acariciando a moldura e logo em seguida tampando-a no chão _ O tempo corrói.
  _Não! -Gritou o rapaz enquanto o  vidro se quebrava e o retrato era pisado pelo outro. 
  _Nesse momento a sua vida é mais importante do que o dinheiro Kyungsoo.
  _Mas...-Questionou _Por que?
  _Você é alguém que irá atrapalhar os nossos planos. Você sabe demais...-Respondeu ao puxar do sobretudo negro uma arma apontando-a para o belo rosto do bonifrate que se desfazia em lágrimas de aflição. 
  _Então puxe logo o gatilho e acabe com a minha aflição! -Suplicou vendo o outro rir. 
  _Você já está morrendo Kyungsoo, não é preciso que eu aperte o gatilho. 
  _Mas...
  _Eu vou explicar , não se preocupe! -Interrompeu ao assentar-se na poltrona que outrora o outro se sentava sentindo-se autoritário. 
  Kyungsoo  apenas virou o rosto para acompanha-lo .
  _Enquanto você sorria e conversava com seu amigo naquela cafeteria , uma de nossas agentes estava em ação. 
  _A mulher de vermelho! -Exclamou ao lembrar-se de quando repreendeu o detetive que reparava com estranheza nas cores diferentes entre os funcionários e seus aventais. 
  _ Bem observado  jovem imperador!-Implicou _  Você não chamar a polícia. Você cometeu um suicídio. 
  _As pessoas irão desconfiar de você, eu sou o Kyungsoo-Exaltou-se _Não cometi um suicídio.
  _ Talvez ninguém soubesse , mas eu sei sobre os seus remédios para depressão Kyungsoo. -Continuou _ Ainda quer que eu lhe explique? O seu chá estava envenenado , eu mesmo dei a mistura para que Jessica lhe service! -Explicou com entusiasmo _ Isso irá criar uma confusão quando forem investigar a causa da sua morte, e tomarão o caso como um suicídio. 
  _Mas você...
  _Será que não entende?-Gritou _Você está morrendo. Eu vou limpar a bagunça que fiz com os seus seguranças , porém quanto a você -Continuou ao olhá-lo com desprezo e guardar a arma no sobretudo _ Logo ficará paralisado, e não sentirá mais o seu corpo, até vir a falecer...
  _Maldito! -Gritou, porém sentira seus pés dormentes e suas pernas fraquejarem, o que fez com que se apoiasse na mesa ao seu lado, ainda fitando com desgosto o homem  sentado a sua frente. 
  Kyungsoo estava morrendo. 
  _Quais são suas últimas palavras meu jovem?
  _ Eu vou me vingar de você.
  O homem levantou-se indo em direção a Kyungsoo desferindo um tapa em seu rosto. 
  _Infelizmente o seu dinheiro não pode fazer isso por você. -Falou _Quais são suas últimas palavras?-Perguntou novamente. 
  _Vou me vingar de você. -Repetiu. 
  _Um, dois , três..qua-Não seria mais preciso contar. 
  O bonifrate caíra sobre o chão perdendo então os sentidos.
  _Te vejo no inferno...-Falou _Vou deixar isso aqui. -Continuou mesmo sabendo que o outro já não mais escutara. 
  Deixou sobre sua mesa um envelope marfim , olhando pela última vez o corpo desfalecido no chão.
  _Esse é o seu preço? As pessoas valem mesmo o que tem?-Perguntou sínico _ No final, com tantos bens , você não valia nada Kyungsoo. Olhe! -Exclamou _ Você está morto. O seu dinheiro não pode comprar sua vida.

  E naquela noite um forte vento percorreu a cidade de Nottingham , avisando que um dos seus havia partido...
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  _Baek...-Chamou ao adentrar a casa, que estava silenciosa e com as luzes apagadas. 
  O detetive fora até o quarto do menino vendo que ele não estava lá. 
  Baekhyun não estava na cozinha , nem na sala de estar , nem mesmo em sua biblioteca. 
  _Droga Baekhyun! -Bufou ao constatar que seu menino havia saído mesmo com sua ordem para que ficasse. 
  Subiu as escadas caminhando para o próprio quarto, certamente , atrás do celular para ligar para a criança. 
  Porém quando adentrou o quarto, sentiu o aroma suave e fresco de Baekhyun , suspirando aliviado, viu o menino dormindo calmamente entre as cobertas de sua cama. 
  _Baek...-Suspirou ao sentar-se ´na borda da cama e acariciar as madeixas macias dos cabelos do coreano. 
  _Chany?-Resmungou _Já chegou? 
  Mesmo tendo a voz abafada pelas cobertas, o detetive sabia que nos lábios delicados do filho, havia um sorriso de boas vindas.
  _Sim. O que faz no meu quarto? -Perguntou ao desconfiar de que o mesmo poderia estar fazendo algo escondido.
  _Não queria ficar sozinho. Pelo menos aqui , eu sinto o seu cheiro. 
  Chanyeol sorriu com a explicação do menor , deitando-se ao seu lado , enquanto eram iluminados pela luz da lua.

  Pela madrugada uma forte ventania despertou-os quando se chocaram as janelas da casa batendo-as. 
  _Chany!-Gritou o menino assustado ao tatear a cama e encontrar com o corpo de Chanyeol ao seu lado. 
  _Acalme-se Baekhyun, foi somente o vento...-Respondeu vendo o outro voltar a deitar-se. 
  Quando fechou as janelas , Chanyeol olhara o relógio sentindo as mãos formigarem.
  _Parece-me que algo está errado. -Constatou 






  
  

quinta-feira, 6 de março de 2014

Capítulo 2 * Simplório Adeus

Não estava em seus planos se encontrar com Kyungsoo naquela tarde, pois estava atordoado de trabalho, principalmente pelo fato do caso ainda não ter sido solucionado.
Por mais que já tivessem entregado os pontos, Chanyeol nunca se daria por vencido , tendo em mente que tal acontecimento fora apenas um impulso para desvendar um seria killer de verdade.
O caso por nome de '' A menina da Fita Vermelha '' fora o mais intrigante que já chegaram até as suas mãos, principalmente por não ter conseguido salvar a menina.
As notícias voavam pela cidade, os jornais anunciaram a tragédia, e mesmo que sua popularidade não tivesse sido diminuída, ainda se preocupava em desemrrolar a fita e solucionar o enigma.
Todos os dias, o detetive analisava com cuidado suas anotações, não deixando de comunicar com Sehun, suas conclusões.
Sehun, além de um amigo de longas datas , era também o policial que mais respeitava e de longe poderia suspeitar do mesmo , pois assim como ele, o policial trabalhava em conjunto com a lei e com a justiça. Porém, a cada dia que se passava , Chanyeol concordava que estava ficando mais difícil, pois não se sentia mais seguro.
Nunca havia temido verdadeiramente na vida.
Podia contar as vezes que chorou , lembrando-se que de uma  delas, onde  foi no assassinato de seus pais a sua frente. Isso até a vida resolver lhe entregar mais um sentimento além da frieza alcançada com o tempo , que de certa forma o obrigava a ser maduro  e a viver como se não devesse se preocupar com a dor. Afinal, os seus pais nunca voltariam.
Não se arrependia de  ter se tornado um detetive , não se arrependia de presenciar cenas de crime, porém ao conhecer Baekhyun começou a sentir medo.
Há pessoas que dizem que quando amamos começamos a sentir medo também.
Talvez medo de que algo tire a pessoa querida de nossos braços, ou medo que o destino simplesmente siga o seu caminho nos desagradando, ou que algo aconteça...
No caso de Chanyeol, temia perder o filho como chantagem  ou vingança ao seu trabalho.
O menino por si, pouco se importava com as preocupações do jovem pai , inclusive gostava de ajudá-lo e admirava-o muito no que fazia desejando ser alguém assim como o a maior. Alguém que defenda a justiça e que proteja as pessoas.
Baekhyun  possuía os olhos pequenos e  negros, a pele pálida como a neve , os lábios delicados e róseos e os dentes branquinhos como os de Chanyeol.
Odiava ir para escola, odiava ser interrompido quando falava , odiava quando chamavam a sua atenção, mas acima de tudo odiava Kyungsoo por disputar com ele a atenção do pai, que no momento não era diferente.
Em meio a lição de casa, o garoto encarara com raiva o detetive que andava de um lado para o outro enquanto falava no celular, certamente com o bonifrate que tanto atrapalhava sua vida.
__Kyungsoo não é?-Perguntou ao levantar-se da mesa e fechar o caderno com violência guardando o lápis no estojo.
__Nós já conversamos  a respeito disso Baek .-respondeu __Sem mencionar o fato de que preciso me despedir de Kyungsoo.
__Essa será a melhor parte. - sorriu com escárnio __Se despedir de Kyungsoo!
__As coisas estão ficando complicadas  e você sabe disso. - Falou o detetive __Não podemos mais ficar de braços cruzados não me importa o quanto Sehun nos diga para abandonar o caso.
__Ainda pensando sobre isso Chany?
__Você não? Pensei que estivesse tão desconfiado quanto eu. -sorriu __As coisas não se resolvem assim.
__Pelo menos já temos um passo.-Pensou __Sabemos para onde o policial fajuto se mudou, só não sei se ir atrás dele irá nos ajudar em algo.
__Os crimes não aconteceram apenas em Nottingham Baekhyun. São semelhantes demais para serem ignorados, por isso creio que se trata de uma quadrilha nômade buscando uma grande fortuna através da vida das pessoas. Precisamos seguir os seus passos.
__O Policial é um deles?-Perguntou ao calçar os sapados ao lado da cadeira de madeira, enquanto via o maior vestir o casaco.
__Sim, o que nos lembra que eles podem estar em qualquer lugar desempenhando qualquer cargo ou função ,seja como um professor, um médico ou até mesmo um policial, como presenciamos.
__Mas há algo nesse acaso que eu ainda não entendo...
Baekhyun pensou em continuar seu argumento, porém via a pressa expressa nos olhos do maior quando pegou a chave do carro sobre a mesa e suspirou.
__Está tudo no meu caderno de anotações  , você pode lê-lo quando terminar a lição.
__Eu já terminei a lição.-Respondeu entredentes  __Eu acho que...
__Baek...eu realmente preciso sair por essa porta , adentrar aquele carro e ver o que o Kyungsoo quer. -Começou __Sei o quanto não gosta dele  mas não faça coisas assim. Não tente me atrasar , tudo bem?
__Faça o que quiser...-Respondeu o menino ao cruzar os braços __Leve o Kyungsoo conosco também!
__Isso é jeito de falar com o seu pai? -Perguntou.
Baekhyun apenas sorriu de forma atrevida enquanto abandonava a sala de estar e deixava Chanyeol para trás, ainda estático com sua reação.
Por mais que se mostrasse zangado, o detetive amava a vida que levava ao lado de Baekhyun, até mesmo quando discutiam.



                                   
                                             
Após se despedir de Baekhyun, Chanyeol pôde então chegar ao local combinado pelo amigo.
  Assustou-se ao ver que se tratava da cafeteria onde os dois conversaram pela primeira vez e se conheceram , depois de um dia perdido de trabalho.
  Adentrou o lugar vendo o amigo acenar de longe para que assentasse junto a si , recebendo-o com um sorriso.
  _Eu já fiz o nosso pedido.-Falou.
  _Por que tudo isso?!-Brincou ao ver o outro bufar.
  _Não posso fazer nossos pedidos?
  _Tudo bem. -Respondeu Chanyeol levantando as mãos como se pedisse desculpas _O que aconteceu? Eu quero voltar cedo para casa, pois deixei o Baekhyun sozinho.
  _Aquele garoto já tem idade o suficiente para cuidar da própria pele Chanyeol. -Respondeu ao revirar os olhos  em negação _ Parece que só se preocupa com esse menino!-Exclamou _ Nem mesmo tem uma mulher a quem amar.
  _Não preciso de coisas triviais como o amor...-Suspirou _ Eu tenho você , o meu melhor amigo , o Baek, o meu filho , e vocês dois já me dão muito trabalho! -Sorriu.  _Então...-Continuou _Diga logo o que você quer Kyungsoo!-Insistiu
  _Fiquei sabendo que retornará para a Coréia do Sul.
  _Isso é verdade.-Confirmou _Mas como ficou sabendo disso?
  _As novidades correm aos ouvidos de um homem como eu. -Sorriu _Por acaso esqueceu de que eu sou aquele que tudo pode ver , ter e saber Chanyeol?
  _Por acaso alguns de seus agentes estão me seguindo , ou esse pensamento é apenas um equívoco meu?-Perguntou ao fitar os olhos do outro.
  _Também não tenho tempo para brincar Chanyeol. -Respondera sério.
  Kyungsoo era uma pessoa boa, porém o tempo o tornara frio e insensível, assim como fizera com Chanyeol.
  Vistos em um quarto escuro, os dois eram exatamente iguais em seu interior reluzente.
   Machucados com a maldade humana e cansados de sua longa vivência , tornara-se insensíveis...
  _Eles usam disfarces -Continuou Kyungsoo _ Eles se disfarçam entre as pessoas honestas fingindo ser como elas. Quem poderia apontar para alguém é dizer : Essa pessoa é honesta , essa não...-Falava Kyungsoo gesticulando com os dedos _ Se torna difícil. -Constatou.
  _Do que está falando?
  _Lembra-se daquele caso?
  O amigo não recebera uma resposta constatando de que o outro havia se esquecido do terrível caso da menina da fita vermelha.
  _Elisabeth...-Falou _Agora se lembra?
  _Sim. -Respondeu Chanyeol com pesar.
  _Estou falando sobre o policial farsante que interagia com os ladões.
  _Não temos certeza disso ainda.-Repreendeu Chanyeol.
  _Tudo indica que sim, afinal, é por isso que vai até a Coréia , estou certo?-Perguntou ao ver o amigo manear com a cabeça em confirmação. _ O seu nome era Ji Yong.
  _Ji Yong? -Perguntou _Imagino quantas pessoas teriam esse mesmo nome.-Sorriu _Mas já é um belo começo. Muito obrigado Kyungsoo.
  _Não me agradeça. -Respondeu ao fitar o café recém trazido pela garçonete de vermelho.
  _Por que ela usa um avental diferente? -Reparou Chanyeol .
  _Chanyeol estamos em uma cafeteria não em uma investigação. - Repreendeu.
  _Desculpe...-Falou ao abaixar a cabeça envergonhado. _ Mas não é somente por isso que me chamou até aqui não é mesmo?!-Perguntou o detetive ao sorrir serenamente para o outro.
  Muitas vezes Kyungsoo invejava Baekhyun , poi o garoto conseguia  arrancar sorrisos espontâneos da parte do amigo sem nem mesmo fazer esforço algum, enquanto o mesmo  tinha de procurar  uma forma para ao menos poder tomar  um café com o detetive e conversar trivialidades , o que nunca de fato ocorria, pois sempre eram interrompidos pelo toque do telefone ou o dever com a justiça, o que se fato Kyungsoo odiava.
  _Eu sou orgulhoso demais para admitir que estou aqui para me despedir de você antes que vá. -Respondeu ao encarar as próprias mãos.
  Chanyeol sabia que não precisaria ligar para o mesmo e avisa-lo , pois de alguma forma o amigo ficaria sabendo. Kyugsoo também pensava assim...
  _Eu vou sentir sua falta Kyungsoo ...muito...
  _Eu também Chany. -Respondeu ao encarar os olhos do amigo.
  _Espero voltar vivo para lhe dizer que consegui resolver tal caso.
  _Eu acredito em você! -Sorriu encorajando-o. _ Eu acredito em você - Repetiu.
  _Se é o Kyungsoo quem diz...-Brincou _Eu também acredito!
  Naquela tarde doces lembranças do amigo coloriram a sua mente , lembrando-se da primeira vez que conversaram naquele café.
  O momento parecia se repetir, porém dessa vez em vez de um doce começo, uma despedida...
  _Poderei ver-te outra vez Kyugsoo?-Perguntava-se o detetive enquanto diria de volta para casa _ Poderei olhar nesses seus olhos tão convencido novamente? Serei eu quem partirei primeiro Kyungsoo?
  Todos os questionamentos foram deixados para trás quando adentrou a sua casa a procura do menino.
  Enquanto isso, para Kyungsoo, a sorte já não era a mesma.

'' O momento de dizer adeus
 Tão doloroso, e bonito quanto o começo
Infelizmente isso não é algo que o tempo 
possa suportar sem mudanças.
  O momento de dizer adeus , agora, talvez...
para sempre.''

terça-feira, 4 de março de 2014

Capítulo 1 * A Hipocrisia e o Desespero

  Naquela cidade todos conheciam o seu nome, porém poucos tinham tido o privilégio de ver o seu rosto,que ao contrário do que imaginavam , possuía traços vivos e joviais. 
  Park Chanyeol seria naquela tempo o melhor detetive que Nottinghan já conhecera! 
  O menino que nascera em Seoul-Coreia do Sul - Habitou em Londres , onde decidiu que que gostaria de ver os pais orgulhosos se esses ainda estivessem vivos. 
   Na verdade , Chanyeol perdera os pais quando ainda era jovem. 
   Decidiu que quando crescesse gostaria de poder ajudar as pessoas , principalmente se pudesse salva-las , pois infelizmente com os seus pais não pudera fazer tal coisa,  apenas os viu morrer diante de seus olhos , ainda infantis e inocentes , diante do grande mundo ganancioso e petulante. 
    Mas Chanyeol não se culpava, nem mesmo culpava os criminosos, pois desde pequeno aprendera assim. Imaginava que não se passava diferente com os maleantes.
    Desde quando nascem as pessoas aprendem errado e da mesma forma continuam  a viver, pensando erroneamente e agindo  como se não existisse um sentido maior , apenas pelo acaso ou por fazer o que lhes oferece prazer , mesmo que  de forma efêmera.
    A vida simplesmente lhe permitiu concluir e ponderar seus conceitos pesando-os em uma balança onde se fazia a justiça. 
    Percebeu que discordar ou se revoltar só pioraria a situação, pois se entregar a loucura ou a imprudência lhe impediria de aprender a lição. 
    Muitos lhe perguntavam de qual lição se tratava  e Chanyeol sempre respondia com um   com um sorriso, dizendo que se tratava não somente de uma lição mas do princípio de muitas outras coisas caso quisesse viver bem :     A lição de que tudo é precioso...Principalmente o sentido da vida. 
                
                                                                ***
     Estava assentado novamente sobre a poltrona próxima a janela, enquanto lembrava-se da conversa que tivera com o policial Sehun  , quando o mesmo lhe perguntava como conseguia ser tão tranquilo presenciando tantos males e atos de violência. 
      Chanyeol simplesmente dizia que observar o mundo ao redor lhe fazia ver o quanto era sortudo. 
       Porém , ao lembrar-se de um de seus casos mais intrigantes , não evitou franzir o cenho e duvidar do que disse. 
       Não importa o quão sortudo seja ou o quão bem você está. 
       Pra tudo existe o seu lugar e o seu momento. Bom seria se as pessoas fossem menos corajosas e soubessem evitar o perigo. 
        Sehun sempre lhe dizia que a coragem até certo ponto não apenas estimulavam  as pessoas a conquistarem  seus objetivos mas também alimentava os corações indecisos, porém, se ela fosse  ingerida  em maior dose poderia tornar-se  a pior inimiga do ser humano, pois permitiria  que o mesmo viesse a perder o temor. 
         Não seria preciso questionar, pois em seu entendimento o detetive sabia que o medo impedia que as pessoas se machucassem.  
         O medo simplesmente impedia que as pessoas fizessem escolhas precipitadas e bloqueava as ações imprudentes. Por isso sabia , que deveria ter cuidado até mesmo com a coragem. 
          Muitas vezes, preferia sentir medo...        
      
       O detetive  lembou-se então  da fita vermelha , dos senhores aterrorizados e da pequena garotinha , que em meio a tanto conforto, no final não lhe restara nada, nem mesmo para os corações desolados dos pais que a perderam...
        Estava tudo preparado para resgatá-la, não havia falhas nos planos da polícia, portanto deixaram de temer, só não esperavam ter a confiança traída assim tão de repente.
         Não esperavam perde-la...
                                                                                        FLASHBACK

  _Era uma noite chuvosa na cidade de Nottingham quando tudo aconteceu.-Começou o homem ao depositar a xícara de chá sobre a mesa e encontrar-se com os olhos atentos e curiosos do detetive sentado na poltrona  frente a si e sua esposa. 
  _Nós estávamos em casa , bem em nossa biblioteca , quando ouvimos o baque que parecia ter vindo de nossa sala de estar. - Continuou a mulher
  _ Porém quando descemos as escadas , vimos os cabelos lisos e negros de Elisabeth , perfeitamente escovados , e bem no topo , seus fios eram presos por um laço vermelho carmesim , o qual a mesma sempre usava. -Explicou _ Seu corpo parecia imóvel sobre a cadeira de balanço , e em suas  mãos segurava um livro  que estava lendo recentemente. Seu título era " A Adaga Negra '' me lembro muito bem quando ela o comprou e sorriu para mim. -Disse a mulher com a triste expressão em seus olhos, expressando que certamente seu coração se encontrava em um poço escuro longe da tão amada menina que usava uma fita vermelha nos cabelos negros.
  _Ela estava de costas para nós -Prosseguiu o homem _ Então levantamos nossas vozes e perguntamos o que havia acontecido. Nada parecia ter caído sobre o assoalho pois tudo estava em seu perfeito lugar, porém o silêncio de Elisabeth nos assustara. 
  _Sim.-Confirmou a mulher _Nós nos assustamos pois a menina sempre fora tagarela e alegre. Quando nos aproximamos ela não estava lá! -Exclamou ao encarar as mãos entrelaçadas uma na outra enquanto suas lágrimas escorriam pelo rosto fino e pálido molhando as mesmas.
  _Como?!-Perguntou Baekhyun , que também participava da conversa.
  _Baekhyun! -Repreendeu o maior vendo o menino encolher-se na poltrona e abaixar a cabeça em um mudo pedido de desculpas por ter os interrompido. 
  _Chanyeol eu não acho que seja bom para Baekhyun escutar esse tipo de conversa. - Aconselhou o homem. 
  _Não tem problema senhor Kim.-Respondeu o detetive _ Na verdade o Baek me ajuda muito em meu trabalho. Ele é um menino esperto!-Elogiou _ Por favor prossiga...
  _Ela não estava lá- Repetiu a senhora 
  _Então...-Hesitou Chanyeol _Quem estava lá exatamente ? Não era Elisabeth? -Perguntou sério enquanto o menino arregalava os olhos em um misto de curiosidade e espanto. 
  _Não era nossa filha.  Era uma boneca coberta por uma tinta de cor escarlate lembrando-nos a imagem de sangue , certamente mostrando-nos de que Elisabeth já estaria morta. -Respondeu  a mulher com a voz falha _ A boneca era mesmo idêntica a ela, até mesmo o seu nariz fino, sua pele alva , e seus olhinhos pequeninos...
  _A questão é quem o fez e o porque...-Explicou Chanyeol _ Elisabeth não está morta. Aquilo fora apenas uma pressão psicológica a vocês , um tipo de chantagem , se assim podemos dizer. Dentro de alguns dias vocês receberão um telefonema. Elisabeth fora sequestrada. - Constatou ao ver os olhos espantados dos senhores em sua sala. 
  _Sequestro? -Perguntou o homem.
  _Sim, um sequestro.-repetiu o jovem detetive _ Sobre a boneca e até mesmo sobre a tinta de cor vermelha , e o baque que escutaram. -Começou _ Não estamos lidando com pessoas inexperientes , nem mesmo com pessoas distantes, certamente ele ou eles - Corrigiu _ conheciam Elisabeth, e tudo fora muito bem organizado.-Pensou _Isso me faz pensar que  não se trata de apenas uma pessoa , mas sim, uma ação conjunta. Uma quadrilha...-Constatou. 
  _Você poderá nos ajudar? -Suplicou a mulher sendo acompanhada pelos olhos  pedintes de seu esposo e os olhos curiosos de Baekhyun, que ainda se fazia presente na sala. 
  _Sou apenas um detetive-Respondeu_ Eu gosto do que faço , porém não posso auxiliar vocês durante o resgate de Elisabeth . Eu apenas irei investigar quem fora o culpado  e contribuir para que esse seja preso. 
  _Mas e Elisabeth? -Perguntou o senhor.
  _Eu sei que ela é importante para vocês.-Começou _ Mais importante do que qualquer bem material ou quantia de dinheiro , eu claramente posso ver isso expresso em seus olhos! -Exclamou _ Se sequestrassem o Baek e me impressionassem com a cena de um boneco como ele coberto por tinta  vermelha após ouvir um barulho em uma casa grande de uma noite chuvosa e fria na velha e doce Inglaterra, eu me assustaria. -Admitiu _Porém o meu conselho para vocês é que tenham calma e paciência. Eles não podem fazer mal à menina antes de ligarem para vocês.  Não se desesperem -Aconselhou _ Alertem a polícia, coloquem escutas e câmeras pela casa, pois isso facilitará o nosso trabalho. Assim, Elisabeth porderá voltar segura e esses malfeitores serão presos.
  _Obrigado Chanyeol-Agradeceu o homem _ Nos sentimos mais tranquilos assim. 
  _Fizeram bem em vir me procurar! -Exclamou _ Tudo ficará bem. -Encorajou ao segurar  as mãos dos dois vendo-os sorrir em resposta. 

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                                                    Anotações de Chanyeol
        De fato , Elisabeth não fora assassinada ,   a mesma fora sequestrada. 
  O baque, a boneca, a tinta...tudo fora organizado para causar pânico ao casal , preparando-os para pedir um resgate. 
   Certamente , isso não acabaria aqui...

  No telefone, uma voz feminina aparentemente nervosa.
  Isso fizera o detetive perceber que se tratava de sua primeira vez em um crime, ou pelo menos, no ato de sequestrar alguém e não deixar com que as coisas 'saiam errado '. Pois qualquer tom em falso eu justamente o  perceberia , como bem o fiz. 
  
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  _O que nós vamos fazer Chany?- Perguntou o menino de forma dengosa enquanto se aninhava nos cobertores abraçando o corpo esguio do maior , encostando a cabeça em seu ombro. 
  _Você vai  para a escola amanhã. - Respondeu vendo o outro reclamar em desânimo.

  Chanyeol não sabia como começar o assunto, nem como diria ao pequeno que teriam de abandonar o país, pois se preocupava com as emoções do mesmo. A todo momento estava cercado pelo medo. 
  Talvez Baekhyun não entendesse o verdadeiro motivo para a preocupação do maior, porém não se afastaria dele, muito menos deixaria com que o mesmo resolvesse o caso sem a sua opinião.
   Em sua pequena cabeça pensava também fazer parte daquele mundo. 

    _ Eu sei que você tem amigos aqui. -começou __ E que gosta muito da Inglaterra , porém eu sempre tive a ideia de que acabaríamos voltando, de um jeito ou de outro...
  _Eu não tenho amigos Chanyeol e você sabe disso. -Respondeu _ Eu sei que por causa de seu trabalho viajaremos muito...Na verdade nós nunca saímos da Inglaterra . -Constatou  __Sempre moramos aqui em Nottingham e eu  não me incomodo de ter de mudar de cidade ou de país, afinal , eu sempre me preparei para isso. 
  _Eu realmente ganhei dos céus  um filho mais precioso que o ouro. -Elogiou ao ver o menino sorrir.
  _Mas por que estamos retornando?- Perguntou curioso. 
  _O dinheiro foi roubado e Elisabeth fora assassinada naquele dia.-Começou _ O dia em que a polícia auxiliara no resgate da menina. 
  _Céus!-Exclamou Baekhyun. 
  _Nem mesmo podemos confiar na polícia hoje em dia. Isso é lamentável...
  _Como assim? A polícia estava envolvida com os criminosos Chany?- Perguntou assustado. 
  _Não posso afirmar Baek , mas é suspeito demais.  Nada é pequeno para um cérebro grande, e o meu objetivo é pensar em todas as possibilidades , não defendendo nem escondendo nada, apenas supondo e duvidando até encontrar uma resposta. -Explicou _ Mas, como dizer isso para o restante dos policiais? -Questionou _ Eles não perceberam nada porém o mesmo policial que Sehun explicou ter saído do país   foi o policial que instalou as escutas e as câmeras. -Falou _ O mesmo que vigiou o dinheiro do resgate, e foi testemunha de quando alguns dos criminosos apareceram na casa e o desarmaram atando seus pés e suas mãos. -Continuou _Após presenciar o assassinato , a polícia e a família puderam ver o tal policial  amarrado e amordaçado jogado na sala de estar . Quanto a maleta do dinheiro...-Pausou _ Não estava mais lá. Eles haviam a levado juntamente com a vida da garota. 
  _Que absurdo Chany! -Exclamou descontente _ Mas...por que você não a ajudou Chany? -Perguntou _Eu tenho certeza de que se você tivesse realmente entrado nesse caso teria conseguido salvar a ela e o dinheiro...-Concluiu __ Eu admiro Sehun, afinal, é um dos poucos amigos que tenho também.-Sorriu __Mas odeio a forma como ele trabalha! -Exclamou __Ele e contenta rápido demais com uma situação, não resolve as coisas como elas devem ser resolvidas e não sabe como agir Chany.-Pausou __Porém desta vez ele havia pedido a sua ajuda...Por que não o fez?
  
   Baekhyun chegara justamente no ponto onde mais detestava discutir ou admitir que precisava se afastar. 
    Reunira os dados, as informações necessárias, até mesmo o local do crime, inclusive mentira para os pais dizendo que a garota sobreviveria pois sabia que Sehun não daria conta do recado. 
    Porém fora preciso mentir, omitir e assistir o crime se esvaindo ,pois pouco a pouco descobriria a solução e resolveria o enigma, porém, como explicaria tal coisa para Baekhyun?
  _Baek-Pronunciou de forma doce ao virar o rosto e encarar os olhos do menino _ E os bandidos? Eles continuariam soltos? -Perguntou ao ver os olhinhos atentos o acompanharem _ As vezes algumas pessoas precisam morrer para que a resposta venha chegar até a justiça fazendo com que outras pessoas sejam salvaz.-Explicou de forma triste _ É preciso que um sacrifício seja feito Baek...
  _No caso esse sacrifício fora Elisabeth?
  _Não digo apenas ela, porém através de sua morte poderei investigar esse caso. Se ela estivesse viva eu não desconfiaria do policial, não teríamos dado nem mesmo um passo nessa investigação.
  _As vezes você é cruel...-Sorriu enquanto pensava _Mas eu entendo o seu ponto de vista e concordo com você. 
  Sabia que no coração do outro a revolta causada pelo assassinato dos pais ainda o corrompia de ódio , o que o maior disfarçava com a falsa aceitação . 
   Sabia principalmente que gostaria de ter salvo Elizabeth, porém ela fora o sacrifício. 
  Desde pequeno aprendeu que deveria se compadecer pelas pessoas, então   enquanto analisava os dedos de Chanyeol escorregarem sorrateiramente pelas prateleiras da biblioteca pensava se a mesma situação se repetisse.
   Relembrou o que seria se compadecer por alguém colocando-se então no lugar de Elisabeth.
   Agora, ele mesmo seria o sacrifício.
   Viu Chanyeol assentar-se na poltrona macia e se aproximou pronto a questionar- como era seu costume-
__ Mas e se fosse eu?-Perguntou ao abaixar-se  na frente do outro segurando suas mãos enquanto olhava profundamente em seus olhos. _E se fosse comigo Chany?-Perguntou novamente _ E se me sequestrassem? E se me torturassem? -Continuou _ E se fizessem um boneco meu e mostrassem a você? E se...
  _ Pxiu...-Interrompeu o maior ao tampar os lábios do menino com suas mãos. _Não diga essas coisas...-Respondeu ao sentir o coração se apertar. 
  _Mas Chany...-Continuou de forma firme após abaixar as mãos do outro e tirá-las de seu rosto _ Quando você me viu  pela primeira vez, em meio ao lixo, em uma sacola qualquer , sujo , com as roupas em trapos...
  _Baek-Interrompeu.
  _ Sozinho, desamparado...-Continou _ O que você sentiu?
  Chanyeol suspirou pesadamente pensando em como poderia responder tal perguntar e mudar de assusto, de forma que pudesse tirar tais pensamento da cabeça do menor.
  _Você era apenas uma criança inocente e pura , certamente não merecia aquilo. Não merecia a maldade humana.-Respondeu _Seus olhinhos tão pequeninos , estavam amedrontados! - Exclamou _ Nem mesmo deixou com que eu me aproximasse de tanto que seu pequeno corpo tremia... De medo ou seria apenas frio?-Perguntou para si mesmo enquanto o outro parecia pensar. 
  _De frio...você é o meu pai agora Chanyeol. A pessoa que me ama, certamente a pessoa mais importante para mim nesse mundo. Eu sou assim para você?
  _De onde tirou essa pergunta?-Encarou de forma séria _Lógico que lhe amo , eu daria minha vida por você , eu sou seu pai Baekhyun.-Respondeu.__Levante-se.
   Baekhyun levantou-se voltando-se novamente para as prateleiras enquanto se punha de costas para o maior escondendo a face chorosa que se formara ao sentir o coração minimamente temer.
  _Não quero ficar longe de você.-Respondeu com a voz chorosa tendo seu corpo arrastado delicadamente para junto dos braços do outro.
  _Não vamos nos separar Baekhyun, o que é isso?!-Exclamou ao assustar-se com as ações do menino. _Não quero me separar...-Continuou. _ Eu digo às pessoas para que possam manter a  calma, porém eu seria o primeiro a me desesperar como um louco , se algo acontecesse a você. Eu não responderia por minhas ações...-Pronunciou de forma que acusasse a si mesmo. 
  Chanyeol acariciou as bochechas de Baekhyun, vendo as lágrimas escorrerem de seus olhos, não muito diferente consigo, pois também temia. 
   Temia perder Baekhyun , assim como os seus pais, Elisabeth e tantas outras pessoas pelo mundo...Tinha medo.
   
                                                                                      FLASHBACK OFF

   Quando seus olhos se encontraram com os de Baekhyun sentiu como se os céus estivessem lhe dando um presente. 
    Talvez por ter perdido os pais e mesmo assim não ter murmurado, o universo retornara para si novamente alguém a quem conversar e amar: Um filho. 
     Baekhyun sempre se intrometia, sempre o interrompia, sempre o dava trabalho, porém as vezes acertava no que falava , inclusive quando se expressava revoltosamente. 
      O detetive apenas desejava que tal sorte jamais o deixasse , que tal destino jamais impedisse que o que ama fosse tirado novamente de si , pois para ele o verdadeiro sentido baseava-se no amor.
      Quando o encontrou , estava decidido abandonar a Coréia , assim não se lembraria tanto das coisas que o abatiam, pois é impossível esquecer, porém faria um esforço para que isso não o destruísse. 
        Escutou os ruídos que provinham das caixas de papelão que vinham do lixo , bem ao lado de uma fábrica de roupas , e curioso , desejou ver do que se tratava. 
         Pensava ser apenas um bicho , como um filhote de gato ou um cachorrinho, porém ao se aproximar mais , notou os fios negros e sedosos que se mostravam para fora da caixa, logo vendo as mãos pálidas e certamente gélidas, os ombros nus e a pele arrepiada pelo frio intenso que se fazia na cidade.
          Sentiu o coração bater forte. Talvez pelo susto ou pela revolta. 
          Seria mesmo possível haver uma pessoa dentro daquela caixa?
          Por fim, viu os olhos pequenos quase fechando-se. Talvez estivesse com febre.
          Os murmúrios aumentavam a cada passo que o maior dava , ainda em estado de choque. Talvez estivesse com medo. 
           Encolheu-se ao sentir a ventania forte que passou pelo local mordendo os lábios ressecados. Talvez estivesse com frio. 
          Chanyeol o acolheu. Imediatamente voltou para seu apartamento e mediu a temperatura da criança constatando que de fato estava com febre. 
          Alimentou-a  e a agasalhou vendo que se esquivava a cada toque do maior, constatando que estava com medo. 
          Arrepiou-se ao sentir as orelhas congelando , assim como a pontinha dos dedos que estavam rígidos , até Chanyeol lhe colocar um gorrinho azul , e agasalhar suas mãos com as luvinhas negras. 
           Naquele dia, agradeceu aos céus por ter lhe concedido mais uma chance. 
  

  ''Por que tão hipócritas? Por que tão mentirosos? 
  É o que eu me pergunto sempre quando  ofereço uma xícara de chá a alguém pedindo-o para que se mantenha calmo enquanto me conta o ocorrido. 
   Eu seria o primeiro a arrancar meus cabelos em desespero.
   Eu sou hipócrita....Não quero mentir.  Eu sou hipócrita...
   Sou um desesperado...''

'' Em meio ao desespero

   Nem mesmo um feixe de luz pode ser percebido. 
   Liberando a minha dera interior.
   Aprofundando-me entre as chamas. 
   O meu coração tortuoso se parte...''



  













segunda-feira, 3 de março de 2014

Se Fosse Você. * Prólogo

  Meu maior medo era que algo pudesse acontecer a mim e viesse a atingir Luhan também .
  Pensando melhor , meu medo era perder Luhan, vendo-o morrer lentamente em meus braços , porém, eu mesmo o fazia...a tanto tempo , eu vinha matando-o aos poucos, e nem mesmo sabia.
  Assim que adentrei para aquela gangue Luhan foi a minha promessa , e certamente se eu dissesse não ao garoto de cabelos azuis , eu não o teria aqui, pois o mesmo estaria morto.
  Ele era o meu ponto fraco , certamente o que me mantinha naquele círculo nojento e tortuoso.
  Eu não queria mas era preciso...
  Ao dia , como todos me conheciam, eu era apenas uma psicóloga , porém a noite  uma assassina escondida pelas sombras das frias ruas de Seoul . Pelo menos foi isto o que me tornei desde quando apertei aquelas mãos macias em um acordo de proteção, até perde-lo de vista...
  Ele não era uma criança normal, ele era especial! Ele não era esquisito, ele possuía um dom. Ele não falava sozinho, ele podia ver seres celestiais e frequentemente me perguntava se eu os conhecia, ou se podia vê-los e escutá-los também.
  Mas , como alguém que já desceu ao inferno poderia ver um anjo?
  Naquela época meu pequenino não sabia. Não sabia que enquanto dormia tranquilamente , pessoas eram assassinadas por aquela que tanto lhe amava e cuidava de si. Por aquela que escovava os seus cabelos e lhe banhava com um sorriso tenro ou que chamava a atenção quando não fazia a lição de casa.
  Na verdade o perigo o rodeava, e ele nem mesmo sabia.
  Todos os dias eu o observava se encontrar com os amigos , e aparentemente as coisas  pareciam ter melhorado e eu estava de fato feliz , pois vê-lo sorrir seria o motivo para mim sorrir também.
   Porém, desde quando Baekhyun chegou a essa cidade , trouxe a mim uma séria de desventuras , o que me levou a observar mais o lugar onde eu estava...Na boca da baleia.
    Eu seria presa. Brevemente seria presa, e antes que tal coisa acontecesse decidi que explicaria tudo para Luhan , antes que me sentisse uma pessoa mentirosa, antes que morresse somente por esperar a ordem de minha prisão, talvez de minha própria morte ...Decidi que protegeria o menino.

   Nunca se engane , pois o perigo mora ao lado e um dia ele baterá na sua porta levando tudo o que um dia você construiu com as más sementes que plantou. 
   Ele levará o que você mais ama...

   Só não esperava que ele fosse levá-lo também...
                                                                                                                 ( Lee  Chaerin )